O tempo em Husserl
1. O ESSENCIAL SOBRE A QUESTAO DO TEMPO
Hua X. § 6. Crítica.
Duração, sucessão e. alterações aparecem. Que reside nestas aparições? Numa I suces- [16] são, por exemplo, aparece um «agora>> e, em unidade com isso, um «passado». A unidade da consciência envolvendo intencionalmente presente e passado é um dado fenomenológico.
§ 7 como se constitui, ao lado dos «objectos temporais>>, imanentes e transcendentes, o próprio tempo, a duração e sucessão dos objecto?
É evidente que a percepção de um objecto temporal tem ela própria temporalidade, que a percepção da duração pressupõe ela própria a duração da percepção, que a percepção de uma qualquer forma temporal tem a sua própria forma temporal.
E se prescindirmos de todas as transcendências, conserva a percepção, segundo os seus constituintes fenomenológicos, a sua temporalidade fenomenológica, que pertence à sua essência insuprimível. Visto que a própria temporalidade objectiva se constitui sempre fenomenologicamente e apenas através desta constituição ela está aí patente para nós como [23] objectividade ou momento I de uma obj ectividade , uma análise fenomenológica do temp o não pode, então, esclarecer a constituição do tempo sem considerar a constituição dos objectos temporais
§ 8. Objectos temporais imanentes e seus modos de aparecer 1
Excluí mos agora toda apreensão e p osição transcendentes e tomamos o som puramente como dado hilético. Ele começa e acaba e toda
a sua unidade de duração, a unidade de todo o processo, no qual ele
começa e finda, move-se, depois de ter findado, para um passado cada
vez mais distante. Nesta retrotracção, «detenho-o» ainda, tenho-o numa
«retenção» e, enquanto ela se mantém, ele tem a sua própria temporalidade, ele é o mesmo, a sua duração é a mesma. Posso dirigir a
atenção para o seu modo de ser dado . Ele e a duração que preenche
estão conscientes numa continuidade de «modos», num <<fluxo constante»; um p onto, uma fase deste fluxo chama-se «consciência de um
som que principia» e, aí, o primeiro ponto temporal da d�ração do
som está consciente segundo o modo do agora.
«Durante» todo este fluxo de consciência, um e o mesmo som está consciente como duradouro, como agora duradouro.
O que nós aqui descrevemos é o modo como o objecto temporal-imanente «aparece» num fluxo constante, como ele é «dado».
§ 9. A consciênda das aparições de objectos imanentes
Manifestamente, devemos reconhecer -que o termo intencionalidade tem um duplo sentido, segundo tenhamos diante dos olhos ou a referência da aparição ao que ap arece ou a referência da consciência, por um lado, ao que «aparece no [seu] como» , por outro, ao que aparece simplesmente.
§ 10. Os contínuos dos fenómenos de decurso [Ablaufsphànomene] O diagrama do tempo
Do fenómeno de decurso sabemos nós que é uma continuidade de mutações constantes, que forma uma unidade inseparável - inseparável em extensões que pudessem ser por si e indivis.ível em fases que pudessem ser por si, em pontos da co ntin uidade
Primeiro que tudo, sublinhamos que os m odos do decurso de um o bjecto temp oral imanente têm um começo, um ponto-fonte, por assim dizer. Ele é aquele modo de decurso com o qual o objecto imanente começa a ser. Ele é caracterizado como agora. Na progressão constante do modo de decurso encontramos , depois, como digno de nota, [o facto] de que cada fase do decurso posteri or é ela própria uma continuidade alargando-se constantemente, uma continuidade de passados
§ 11. Proto-impressão e modificação retencional
O «ponto-fonte», com que se inicia a «produção, do obj ecto duradouro, é uma proto-impressão. Esta consciência está envolvida numa permanente mutação: o som-agora, presente em carne e osso, muda-se constantemente (sei/. consciencialmente, «na>• consciência) em um «ter sido»; constantemente um som-agora sempre novo substitui o que passou na modificação. Mas quando a consciência do som-agora, a prato-impressão, passa a retenção, esta própria retenção é outra vez um agora, um existente [Daseiendes] actual. Enquanto ela própria é actual (mas não som actual), é retenção do som que foi. Um raio da intenção [Meinung] pode dirigirose para o agora, para a retenção, mas pode também dirigir-se para o retencionalmente consciente, para o som passado. Mas cada agora actual da consciência está sujeito à lei da modificação. Ele muda-se em retenção de retenção, e isto constantemente . Resulta, assim, um constante contínuo da retenção, de tal modo que cada ponto posterior é retenção para cada ponto anterior.
No caso da percepção de um objecto temporal (não tem importância, para o que agora consideramos, que o tomemos corno imanente ou transcendente), ela termina, em cada momento, numa apreensão do agora, numa percepção no sentido de uma posição-como-agora [Als]etzt-Setzung]. Durante a percepção de um movimento tem lugar, de momento para momento, uma captação-como-agora [A ls-Jetzt-Eifassen], na qual se constitui a fase agora actual do próprio movimento. Mas esta apreensão do agora é, de algum modo, o núcleo para uma cauda de cometa de retenções, respeitantes aos pontos-agora anteriores do movimento.
§ 12. A retenção como intencionalidade peculiar
Fala-se de dissipação, empalidecimento; etc., dos conteúdos de sensação quando a percepção propriamente dita passa para a retenção.
Não se deve, naturalmente, negar que haja ressonâncias. Mas aí onde as conhecemos e distinguimos, podemos desde logo verificar que não pertencem à retenção como tal, mas sim à percepção.
Pertence, p orém, à essência da intuição do tempo que ela seja,
em cada ponto da sua duração (de que podemos fazer, reflexivamente,
um objecto), consciência do agora m esmo passado e não simplesmente
consciência do ponto-agora da obj ectividade que aparece como duradoura. E, nesta consciência, está o agora mesmo passado consciente
numa correspondente continuidade e, em cada fase, [está consciente]
num determinado «modo de aparecer» , com as diferenças de «conteúdo» e <<apreensão».
I § 13. Necessidade da precedência de uma impressão para cada retenção [33] Evidência da retenção
1 § 14. Reprodução de objectos temporais (recordação secundária) [35] Caracterizámos 27 a recordação primária ou retenção como uma cauda de cometa, que se agrega à respectiva percepção. Disso deve ser inteiramente distinguida a recordação secundária, a recordação iterativa.
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